segunda-feira, 19 de maio de 2014



A TERRA QUE NOS ACOLHEU

Quando nos mudamos para esta cidade, no ano de mil novecentos e oitenta e um, muitos fatos desagradáveis ocorreram e precisamos deixar para trás o sonho de morar aqui.
Parti muito decepcionada e desejando nunca mais voltar.
Acontece que o tempo passou, a poeira assentou e, em mil novecentos e oitenta e oito voltamos.
Acredito que estávamos destinados a morar aqui, pois compramos esta casa e nos instalamos definitivamente em São Carlos.

Não vou dizer que foi uma maravilha desde o começo. Quando chegamos a uma nova cidade precisamos de um tempo de adaptação.
Meu filho caçula na época tinha pouco mais de um ano e era alérgico. Naqueles anos geava muito por aqui e ele, que viera de uma cidade de clima mais quente, estranhava muito.
Eu lembro bem que acordava de manhã e olhava os telhados das casas vizinhas brancos de gelo e as plantas do jardim se queimavam com as intensas geadas.
Estranhávamos também o vento. Depois nos acostumamos.
Muitas vezes eu levava os meninos para passear nas praças do centro da cidade e caminhávamos pelas ruas conversando.
Lembro bem que quando passávamos pela USP o meu filho mais novo comentava que um dia estudaria ali. E aconteceu mesmo. Ele ainda está lá concluindo sua pós-graduação em Física.
Agradeço esta terra que nos acolheu tão bem.

Hoje em dia eu penso: Nasci noutro lugar, fui criada noutra terra, não tão distante daqui, mas nunca imaginei que aqui é que me instalaria de vez.
Gosto do povo, das ruas, do calçadão, da Catedral e de tantos lugares que frequento.
Sinceramente, não conseguiria entender minha vida longe desta cidade.
É a terra onde vivemos e onde meus filhos têm seu ganha pão, onde o mais velho constituiu sua família.

Aprendi no decorrer da vida a agradecer as coisas e os fatos. Aprendi a agradecer aos antepassados, a todas as pessoas que já estiveram em minha vida, as que estão e as que ainda farão parte. Aprendi a agradecer a pátria e a cidade onde vivo.

Meus filhos a amam como se aqui tivessem nascido e penso que eu também aprendi a amá-la e não penso em deixá-la.
É a cidade do clima agradável, da brisa que me acaricia, dos lindos luares de prata, dos acasos fantásticos, da tecnologia. É uma cidade de médio porte onde ainda podemos nos sentar nas praças e conversar. Onde ainda podemos ter o contato com os vizinhos e amigos.

Obviamente que existem problemas, como toda cidade tem, mas nada que nos incomode tanto.

Minha eterna gratidão a São Carlos, cidade onde resido há mais de vinte anos.

sonia delsin 

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