A TERRA QUE NOS ACOLHEU
Quando nos mudamos para esta cidade, no ano de mil
novecentos e oitenta e um, muitos fatos desagradáveis ocorreram e precisamos
deixar para trás o sonho de morar aqui.
Parti muito decepcionada e desejando nunca mais
voltar.
Acontece que o tempo passou, a poeira assentou e, em
mil novecentos e oitenta e oito voltamos.
Acredito que estávamos destinados a morar aqui, pois
compramos esta casa e nos instalamos definitivamente em São Carlos.
Não vou dizer que foi uma maravilha desde o começo.
Quando chegamos a uma nova cidade precisamos de um tempo de adaptação.
Meu filho caçula na época tinha pouco mais de um ano e
era alérgico. Naqueles anos geava muito por aqui e ele, que viera de uma cidade
de clima mais quente, estranhava muito.
Eu lembro bem que acordava de manhã e olhava os telhados
das casas vizinhas brancos de gelo e as plantas do jardim se queimavam com as
intensas geadas.
Estranhávamos também o vento. Depois nos acostumamos.
Muitas vezes eu levava os meninos para passear nas
praças do centro da cidade e caminhávamos pelas ruas conversando.
Lembro bem que quando passávamos pela USP o meu filho
mais novo comentava que um dia estudaria ali. E aconteceu mesmo. Ele ainda está
lá concluindo sua pós-graduação em Física.
Agradeço esta terra que nos acolheu tão bem.
Hoje em dia eu penso: Nasci noutro lugar, fui criada
noutra terra, não tão distante daqui, mas nunca imaginei que aqui é que me
instalaria de vez.
Gosto do povo, das ruas, do calçadão, da Catedral e de
tantos lugares que frequento.
Sinceramente, não conseguiria entender minha vida
longe desta cidade.
É a terra onde vivemos e onde meus filhos têm seu
ganha pão, onde o mais velho constituiu sua família.
Aprendi no decorrer da vida a agradecer as coisas e os
fatos. Aprendi a agradecer aos antepassados, a todas as pessoas que já
estiveram em minha vida, as que estão e as que ainda farão parte. Aprendi a
agradecer a pátria e a cidade onde vivo.
Meus filhos a amam como se aqui tivessem nascido e
penso que eu também aprendi a amá-la e não penso em deixá-la.
É a cidade do clima agradável, da brisa que me
acaricia, dos lindos luares de prata, dos acasos fantásticos, da tecnologia. É
uma cidade de médio porte onde ainda podemos nos sentar nas praças e conversar.
Onde ainda podemos ter o contato com os vizinhos e amigos.
Obviamente que existem problemas, como toda cidade
tem, mas nada que nos incomode tanto.
Minha eterna gratidão a São Carlos, cidade onde resido
há mais de vinte anos.
sonia delsin

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