segunda-feira, 19 de maio de 2014



ORGULHOSA

Orgulhosa era uma égua branca que pertencia aos meus sogros.
Quando a montei pela primeira vez senti o quanto era mansa e percebi que montando-a não teria sobressaltos.
Eu havia montado poucas vezes e passara por algumas experiências que me levaram a temer a montaria.
Temia que o animal disparasse num galope.
D. Chiquinha me tranquilizava dizendo que com ela não corria perigo algum e aceitei montar.
Ela pegava uma espuma grossa e um tapete velho e preparava-a para que eu a montasse.
Naquele tempo era noiva e meu noivo montava a Alazã. Meu Deus! A Alazã era uma linda égua castanha. Linda, linda. Mas eu só por umas duas vezes me arrisquei a montar na garupa. Agarrava as costas de meu noivo e sentia tanto medo.
Já com Orgulhosa eu montava serenamente.
Caminhávamos pelas estradas calmas dentro do Hospital Psiquiátrico. Íamos conversando e mesmo com a espuma eu sentia no trote como Orgulhosa era ossuda.
Pobre Orgulhosa! Uma cobra a picou e sofreu bastante. Justamente ela que era tão mansinha.
Sinto saudades e de olhos fechados, posso sentir de novo o vento balançando meus cabelos e o trote leve.

Anos e anos que isto aconteceu e nunca esqueci. Orgulhosa ficou guardada num cantinho do meu coração.

sonia delsin

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