ORGULHOSA
Orgulhosa
era uma égua branca que pertencia aos meus sogros.
Quando a
montei pela primeira vez senti o quanto era mansa e percebi que montando-a não
teria sobressaltos.
Eu havia
montado poucas vezes e passara por algumas experiências que me levaram a temer
a montaria.
Temia que o
animal disparasse num galope.
D. Chiquinha
me tranquilizava dizendo que com ela não corria perigo algum e aceitei montar.
Ela pegava
uma espuma grossa e um tapete velho e preparava-a para que eu a montasse.
Naquele
tempo era noiva e meu noivo montava a Alazã. Meu Deus! A Alazã era uma linda
égua castanha. Linda, linda. Mas eu só por umas duas vezes me arrisquei a
montar na garupa. Agarrava as costas de meu noivo e sentia tanto medo.
Já com
Orgulhosa eu montava serenamente.
Caminhávamos
pelas estradas calmas dentro do Hospital Psiquiátrico. Íamos conversando e
mesmo com a espuma eu sentia no trote como Orgulhosa era ossuda.
Pobre
Orgulhosa! Uma cobra a picou e sofreu bastante. Justamente ela que era tão
mansinha.
Sinto
saudades e de olhos fechados, posso sentir de novo o vento balançando meus
cabelos e o trote leve.
Anos e anos
que isto aconteceu e nunca esqueci. Orgulhosa ficou guardada num cantinho do
meu coração.
sonia delsin

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