CIDADE DE
PEDRA
Quando me
fecho no quarto em que moro sinto o perfume dos campos floridos.
Como sinto
ainda em meu corpo a chuva leve que lavava minha alma dos conflitos
Recordo os
banhos frios nos riachos límpidos...
As minhas
longas caminhadas nos bosques, o canto dos pássaros.
As fontes
escondidas entre samambaias, onde eu saciava a sede depois de tanto andar.
Eu olhava ao
meu redor e só via árvores, em cujos galhos os pequenos cantores faziam seus
ninhos, sem temer que os destruíssem.
A maldade
dos homens não chegava àquele lugar esquecido do mundo.
Eu abria os
braços e rodopiava feliz, livre.
O vento no
meu rosto, o barulhinho suave das águas cantando nas pedras.
Eu era uma
parte deste mundo, era como aqueles animais selvagens que temem a aproximação dos
seres humanos.
Agora estou
entre quatro paredes, e sinceramente desconheço se foi a civilização que chegou
até o meu mundo perdido, ou se fui eu que cheguei até esta cidade de
cimento-armado.
Não posso
abrir meus braços e rodopiar, porque este mundo é muito estreito...
... e eu
posso jogar meu corpo contra esta cidade de pedra.
São Paulo,
14 de maio de 1977
sonia delsin

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