terça-feira, 20 de maio de 2014



CIDADE DE PEDRA

Quando me fecho no quarto em que moro sinto o perfume dos campos floridos.
Como sinto ainda em meu corpo a chuva leve que lavava minha alma dos conflitos
Recordo os banhos frios nos riachos límpidos...
As minhas longas caminhadas nos bosques, o canto dos pássaros.
As fontes escondidas entre samambaias, onde eu saciava a sede depois de tanto andar.
Eu olhava ao meu redor e só via árvores, em cujos galhos os pequenos cantores faziam seus ninhos, sem temer que os destruíssem.
A maldade dos homens não chegava àquele lugar esquecido do mundo.
Eu abria os braços e rodopiava feliz, livre.
O vento no meu rosto, o barulhinho suave das águas cantando nas pedras.
Eu era uma parte deste mundo, era como aqueles animais selvagens que temem a aproximação dos seres humanos.
Agora estou entre quatro paredes, e sinceramente desconheço se foi a civilização que chegou até o meu mundo perdido, ou se fui eu que cheguei até esta cidade de cimento-armado.
Não posso abrir meus braços e rodopiar, porque este mundo é muito estreito...
... e eu posso jogar meu corpo contra esta cidade de pedra.


São Paulo, 14 de maio de 1977

sonia delsin

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