terça-feira, 20 de maio de 2014



ONDE ESTÁ A CRIANÇA QUE EU  FUI?

Ser criança é acreditar, é confiar. É viver num mundo largo e encantado.
É construir castelos de areia, é sonhar com o mundo misterioso dos adultos.
Existe uma ponte ligando a infância à mocidade.
Acredito que à medida que caminhamos por ela encontramos uma série de fatores.
Fatores que irão influir em nossa personalidade futura.
A bagagem moral que se leva da infância pelos caminhos do mundo é de grande importância.
Quase todos os seres humanos se decepcionam quando alcançam a idade adulta.
Os anos passam, os ponteiros continuam implacavelmente a caminhar.
O sol nasce, vem a noite; outro dia, mais outro.
Uma infinidade de outros...
... e aí nos perguntamos um dia:
-- “Onde está a criança que eu fui?”
Se pudéssemos compreender naquela época como a vida é perderíamos a espontaneidade, a naturalidade.
Seríamos crianças hipócritas.
Deixaríamos de ser a própria criança. Cabeça de vento e alma de anjo.


São Paulo, 28 de maio de 1976

sonia delsin

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