terça-feira, 20 de maio de 2014



UMA ETERNA APAIXONADA

Era o vento açoitando as folhas e na minha imaginação eram fantasmas...
Assustadoras figuras que eu pressentia entre as bananeiras.
Figuras que povoavam minha mente fantasiosa.
Cresci assim... no meio do mato.
Ouvindo a música da cachoeira, perseguindo borboletas, cigarras, fuçando nos ninhos.
Atravessando pinguelas, admirando a transformação do grão.
Meu moinho de milho que o tempo não destrói não.
Ouvia o balir das cabras. O coaxar dos sapos e rãs... os pássaros a cantar.
Criançada a correr, a pular, a brincar...
Eu era uma delas... uma das mais traquinas.
Era a nona que resmungava ou tossia quase todo o tempo.
E as estórias que mamãe contava!
Meus gatos, os porcos, meus castelos de sabugos.
O rancho onde construí tantos sonhos.
E as jabuticabeiras floridas... carregadas de frutinhas maduras...que tentação!
Não me fartar era uma judiação.
O que posso falar de minha terra amada?
Que por ela sou uma eterna apaixonada.
Que a guardo n’alma, no melhor canto.
Que a menina é eterna em mim e viaja para todos os recantos guardados.
Quando se tem uma lembrança destas a vida fica mais fácil. É doce correr pra lá... quando tudo está ruim pra cá...

sonia delsin

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