MELODRAMA
¾ Não precisa dramatizar.
É o que
sempre me disseram: meus pais, irmãos, amigos, meus filhos e você.
Mas como não
fazer drama, se é disso que sou feita?
Estou sempre
construindo histórias na minha cabecinha de vento.
Tantas vezes
sou obrigada a viver a realidade dura, assumir meu eu carnal.
Amo meu eu,
este Eu profundo que existe dentro de mim, sei que ele faz parte do cosmos. Mas
o material não significa muito, nem me importo em enfeitá-lo porque a beleza
física não é o fundamental para mim.
As coisas da
Terra não têm a importância que tantos lhe dão. Importo-me mais com coisas
muito maiores, mais profundas.
Vivo a
conjeturar, vivo no mundo dos sonhos porque sinto que escapei dele para ter que
viver aqui.
Sinto que
sou a prisioneira de meus próprios sonhos. Vivo de idéias e fantasias e quando
assumo meu lado prático sofro por não poder modificar as coisas.
Não aceito e
nem assumo meu eu material, sinto-me castigada por ele.
Sinto que
preciso vivê-lo e através dele aprender lições de vida, então dou-me por
rogada; vivo o eu carnal que se sobranceia ao meu eu espiritual.
Mas existem
minhas fugas e meus devaneios e minha mania de dramatizar, de colorir
demasiadamente, de antepor, de sobressair. Não posso ser só a dona de casa eficiente
se dentro de mim mora uma alma enorme que adora viajar pelo espaço sideral.
sonia delsin

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