terça-feira, 20 de maio de 2014



MELODRAMA

¾ Não precisa dramatizar.
É o que sempre me disseram: meus pais, irmãos, amigos, meus filhos e você.
Mas como não fazer drama, se é disso que sou feita?
Estou sempre construindo histórias na minha cabecinha de vento.
Tantas vezes sou obrigada a viver a realidade dura, assumir meu eu carnal.
Amo meu eu, este Eu profundo que existe dentro de mim, sei que ele faz parte do cosmos. Mas o material não significa muito, nem me importo em enfeitá-lo porque a beleza física não é o fundamental para mim.
As coisas da Terra não têm a importância que tantos lhe dão. Importo-me mais com coisas muito maiores, mais profundas.
Vivo a conjeturar, vivo no mundo dos sonhos porque sinto que escapei dele para ter que viver aqui.
Sinto que sou a prisioneira de meus próprios sonhos. Vivo de idéias e fantasias e quando assumo meu lado prático sofro por não poder modificar as coisas.
Não aceito e nem assumo meu eu material, sinto-me castigada por ele.
Sinto que preciso vivê-lo e através dele aprender lições de vida, então dou-me por rogada; vivo o eu carnal que se sobranceia ao meu eu espiritual.
Mas existem minhas fugas e meus devaneios e minha mania de dramatizar, de colorir demasiadamente, de antepor, de sobressair. Não posso ser só a dona de casa eficiente se dentro de mim mora uma alma enorme que adora viajar pelo espaço sideral.


sonia delsin

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