terça-feira, 20 de maio de 2014



UM FATO INCOMUM

Neste final de ano estávamos (meu filho caçula, meu sobrinho e eu), passando uns dias na casa de minha mãe na cidadezinha em que nasci.
Dias muito agradáveis por sinal passamos porque aquele é um canto de paz neste mundo.
Num entardecer aconteceu um fato incomum.
Já escurecia. Eu lia uma revista sentada na varanda e meu filho se sentou próximo a mim. Ele trazia o violão e cantava baixinho uma canção. O meu sobrinho também se juntou a nós e o acompanhava no canto quando um pássaro começou a cantar.
Os meninos empolgados cantavam. Suas vozes juvenis enchiam aquele final de tarde e o som do violão era muito bom de se ouvir.
Já escurecia e o pássaro permaneceu no fio a cantar. Uma melodia suave. Deliciosamente suave.
Nunca vi cena igual. Um pássaro a cantar naquele horário em que eles costumam se recolhem para se abrigar.
Os dois continuaram e a ave parecia acompanhá-los.
Eu não despregava os olhos de seu corpinho, de seu biquinho que se abria,
Isto durou um tempo. Por fim ele voou. Os meninos também se afastaram e fiquei olhando o vazio da noite que chegava invadindo meu mundo.

Meu canto de paz permanecia.

sonia delsin

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