UM FATO INCOMUM
Neste final de ano estávamos (meu filho caçula, meu
sobrinho e eu), passando uns dias na casa de minha mãe na cidadezinha em que
nasci.
Dias muito agradáveis por sinal passamos porque aquele
é um canto de paz neste mundo.
Num entardecer aconteceu um fato incomum.
Já escurecia. Eu lia uma revista sentada na varanda e
meu filho se sentou próximo a mim. Ele trazia o violão e cantava baixinho uma
canção. O meu sobrinho também se juntou a nós e o acompanhava no canto quando
um pássaro começou a cantar.
Os meninos empolgados cantavam. Suas vozes juvenis
enchiam aquele final de tarde e o som do violão era muito bom de se ouvir.
Já escurecia e o pássaro permaneceu no fio a cantar.
Uma melodia suave. Deliciosamente suave.
Nunca vi cena igual. Um pássaro a cantar naquele
horário em que eles costumam se recolhem para se abrigar.
Os dois continuaram e a ave parecia acompanhá-los.
Eu não despregava os olhos de seu corpinho, de seu
biquinho que se abria,
Isto durou um tempo. Por fim ele voou. Os meninos
também se afastaram e fiquei olhando o vazio da noite que chegava invadindo meu
mundo.
Meu canto de paz permanecia.
sonia delsin

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