QUE SORTE A
MINHA!
Vamos fazer
de conta que tudo isso é verdade.
Que é a mais
pura e verdadeira verdade.
Fazer de
conta, porque o tempo de acreditar já acabou.
Já não
existe mais a menina crédula, com os olhos de luzes.
Acabou
aquela menina.
Onde, em que
canto eu a deixei e nem me dei conta?
Deus! Ela
era sensacional vivendo dentro de mim.
Havia uma
auréola de luz envolvendo aquela cabecinha de ouro.
Aquele
coraçãozinho de ave ferida, machucado, dolorido e mesmo assim esperançoso,
confiante.
Deus! Onde
ficou a menina em mim, em que canto?
Quero-a,
preciso dela para sobreviver neste mundo cão e não a encontro mais.
Ela morreu.
Deixei-a
ir-se assim como fumaça ao vento? Deixei-a ir-se levianamente?
Eu a busco e
já não a acho em mim.
Foi-se e
deixou em seu lugar uma mulher incrédula, dura, amarga.
Uma mulher
que só pode dar de si o amor que sobrou, uma mulher que tenta agarrar-se à
última tábua de salvação.
Não teria
ficado em algum cantinho em mim a menina? Se eu a procurasse com mais cuidado,
quem sabe!?
(foi tudo um
engano – a menina esta escondida – dando um tempo – só um tempo – e reapareceu
para me dizer que não morrerá jamais – que
sorte!)
sonia delsin

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