terça-feira, 20 de maio de 2014



QUE SORTE A MINHA!

Vamos fazer de conta que tudo isso é verdade.
Que é a mais pura e verdadeira verdade.
Fazer de conta, porque o tempo de acreditar já acabou.
Já não existe mais a menina crédula, com os olhos de luzes.
Acabou aquela menina.
Onde, em que canto eu a deixei e nem me dei conta?
Deus! Ela era sensacional vivendo dentro de mim.
Havia uma auréola de luz envolvendo aquela cabecinha de ouro.
Aquele coraçãozinho de ave ferida, machucado, dolorido e mesmo assim esperançoso, confiante.
Deus! Onde ficou a menina em mim, em que canto?
Quero-a, preciso dela para sobreviver neste mundo cão e não a encontro mais.
Ela morreu.
Deixei-a ir-se assim como fumaça ao vento? Deixei-a ir-se levianamente?
Eu a busco e já não a acho em mim.
Foi-se e deixou em seu lugar uma mulher incrédula, dura, amarga.
Uma mulher que só pode dar de si o amor que sobrou, uma mulher que tenta agarrar-se à última tábua de salvação.
Não teria ficado em algum cantinho em mim a menina? Se eu a procurasse com mais cuidado, quem sabe!? 


(foi tudo um engano – a menina esta escondida – dando um tempo – só um tempo – e reapareceu para me dizer que não morrerá jamais –        que sorte!)

sonia delsin 

Nenhum comentário:

Postar um comentário