TAPETE FÚNEBRE
Olho a rua
molhada.
As poças
d’água nas calçadas.
Olho a chuva
que cai.
O vento
balança uma árvore coberta de flores roxas.
As flores
caem lentamente.
O vento bate
mais forte e o chão se cobre de roxo.
De pétalas
roxas.
Parece um
tapete. Um tapete fúnebre.
Porque o
roxo sempre me lembra a morte.
Mais forte
agora a enxurrada carrega as flores.
O tapete se
desfaz.
A chuva
aumenta, os trovões e os relâmpagos tornam-se assustadores.
A chuva cai
e vai molhando tudo. Sinto-me completamente umedecida.
Chove dentro
de mim um pranto leve, suave.
Talvez seja
a melancolia de assistir a chuva cair. Ou talvez a nudez da árvore é que me
espeta a sensibilidade.
Abro meus
olhos parados, esquecidos. Olhos que olham ser ver.
Já não
chove.
Um sol
ardente brilha. A natureza logo se esquece que choveu.
Só eu estou
aqui a lamentar pela árvore que perdeu suas flores.
Então me
pergunto se as pétalas roxas foram formar outro tapete...
São Paulo,
16 de março de 1976
sonia delsin

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