NUNCA MAIS A
MESMA
Ela nunca
mais foi a mesma depois daquele dia.
Nunca mais
confiou em seu homem. Perdeu aquele deslumbramento que fazia acenderem mil
luzes em seus olhos quando o avistava.
Foi como
quando em criança.
Colocara num
pedestal o próprio pai.
Ninguém
jamais se igualava a ele. Era o maior de todos, o melhor, o bom.
Até
decepcionar-se e ver que o pai era feito de carne, ossos. Sujeito a erros e
acertos.
O pai
despencou daquela altura que a menina o colocara e a queda fora brutal, seca.
Marcara a sua infância a ferro e fogo.
Depois
daquela queda a menina precisou passar por muita coisa e aprendeu a confiar
novamente, aprendeu a esperar o melhor das pessoas.
Senão a vida
não teria sentido para ela.
Da segunda vez
não construiu um pedestal, mas confiou.
Confiou e
deu o melhor de si.
Por várias
vezes sentiu-se tentada a desacreditar, mas seria como ver cair o pai do
pedestal pela segunda vez. Se havia motivos? Havia! Sim, havia!
Quantas
vezes ela precisara ser forte e segurar a barra para não ver por terra tudo de
novo.
Ela
precisava crer, mesmo que lá no fundo houvesse a dúvida.
Era uma
crença aparente? Talvez até fosse, mas era necessário tentar se iludir.
Agarrar-se a
convicção de que era preciso acreditar.
Mas alguma
coisa aconteceu naquele dia e os olhos dela não puderem se fechar àquilo.
Nunca mais
seria a mesma. Nunca mais...
sonia delsin

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