terça-feira, 20 de maio de 2014



NUNCA MAIS A MESMA

Ela nunca mais foi a mesma depois daquele dia.
Nunca mais confiou em seu homem. Perdeu aquele deslumbramento que fazia acenderem mil luzes em seus olhos quando o avistava.
Foi como quando em criança.
Colocara num pedestal o próprio pai.
Ninguém jamais se igualava a ele. Era o maior de todos, o melhor, o bom.
Até decepcionar-se e ver que o pai era feito de carne, ossos. Sujeito a erros e acertos.
O pai despencou daquela altura que a menina o colocara e a queda fora brutal, seca. Marcara a sua infância a ferro e fogo.
Depois daquela queda a menina precisou passar por muita coisa e aprendeu a confiar novamente, aprendeu a esperar o melhor das pessoas.
Senão a vida não teria sentido para ela.
Da segunda vez não construiu um pedestal, mas confiou.
Confiou e deu o melhor de si.
Por várias vezes sentiu-se tentada a desacreditar, mas seria como ver cair o pai do pedestal pela segunda vez. Se havia motivos? Havia! Sim, havia!
Quantas vezes ela precisara ser forte e segurar a barra para não ver por terra tudo de novo.
Ela precisava crer, mesmo que lá no fundo houvesse a dúvida.
Era uma crença aparente? Talvez até fosse, mas era necessário tentar se iludir.
Agarrar-se a convicção de que era preciso acreditar.
Mas alguma coisa aconteceu naquele dia e os olhos dela não puderem se fechar àquilo.

Nunca mais seria a mesma. Nunca mais...

sonia delsin

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