terça-feira, 20 de maio de 2014



RECORDANDO

Ainda consigo sentir o perfume das jabuticabeiras floridas.
Aquele cheiro de mato da minha terra jamais deixou de estar impregnado em meu ser.
Consigo ainda ouvir o barulho do córrego, o vento nos bambuzais...
Quanto tempo faz que eu corria por aquelas terras feito bicho livre.
Sem medo da vida. Querendo tanto ser feliz.
Vivia sonhando com outras terras, outra vida.
Fecho os olhos e vejo a casa simples, o paiol, a bica d’água. O moinho.
Quantos pequenos detalhes que teimam em permanecer intactos na memória.
Moram no passado. Contam a minha história.
O melhor da minha vida ficou lá, na chácara. Minha infância tão pura e doce.
Hoje, quando revejo aquele recanto onde nasci e vivi minha infância, não consigo encontrar nada do que me ficou na lembrança.
Parece outra terra.
É triste.
Nela já não correm crianças. Já não há uma mulher que trabalha cantarolando. Não há um homem assobiando a música “Silêncio”. Não há uma velhinha tossindo sem parar.
O moinho está silencioso, esquecido. Em ruínas. A velha roda enferrujada.
Já não existe o jardim florido, nem as cabras, nem a bica...
Agora aquela terra conta outra história e eu não faço parte dela.
A minha ficou guardada como a recordação mais terna que alguém pode ter.

São Carlos, 11 de agosto de 1995


sonia delsin

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