O ENXAME
Eu era uma
menina arteira, dessas que fuçam em todo canto.
Procurava
sempre estar mexendo em alguma coisa.
Foi num dia
assim. Num desses dias em que bulia, bulia onde não devia.
Eu pegava o
pedaço de pau e cutucava as pedras do alicerce.
Era um gesto
distraído de quem nada procura. E tudo procura.
De repente
começaram a sair muitas abelhas do buraquinho que eu fizera.
Elas vinham
no meu rosto, nos meus cabelos. Eu tentava tirá-las do cabelo e elas se
enroscavam mais e outras chegavam.
Elas foram
me picando todinha. Entravam por dentro do vestido que era bem largo, subiam
pelas pernas.
Eu gritava
como uma louca e elas vinham mais e mais.
Foi assim
que a minha mãe me encontrou: sendo atacada por um enxame de abelhas.
Ela me pegou
no colo e saiu correndo.
Lembro que
morávamos numa chácara e as pessoas vinham comprar fubá.
Naquela hora
havia um senhor que viera comprar e recomendou que minha mãe passasse anil em
meu corpo e fosse tirando os ferrões com uma pinça.
Ela fez isso
e logo em seguida meu pai chamou o médico.
Há um espaço
em branco. Foi quando fiquei largada na cama, mais morta que viva. Dizem que
foram dias que fiquei neste estado.
Quando me
recuperei meu pai comentou que foram as
“caçununga” que me picaram.
Caçununga
quer dizer vespas.
Se fui
atacada aos seis anos por um enxame de vespas e sobrevivi a isso é sinal de que
tenho realmente o “couro duro”.
Lembro-me
que uma tia minha comentou:
- Esta é a primeira vez em que eu vejo a Sonia
gorda na vida.
Isto porque
fiquei muito inchada.
A verdade é
que quase morri devido a estas picadas.
Outras vezes
fui picada por abelhas, mas é que invadi o mundo delas. Eu ia fuçar onde não
devia. Quem mexe com marimbondo sai picado.
sonia delsin

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