PARADOXO
Seria tudo
tão simples se eu fosse como qualquer outra mulher.
Qualquer uma
que vivesse as coisas comuns do lar.
Que
conversasse sobre filhos, mamadeiras, fraldas.
Sobre os
problemas escolares dos guris.
Que gostasse
de um bom papo com as vizinhas para falar da novela.
Do leiteiro
que se atrasou, do bolo que assou.
Mas não é
assim que eu sou!
Não gosto de
falar de coisas assim.
Gostaria de
falar de um livro que li.
Duma música
que me emocionou.
Duma poesia
que me tocou a alma.
Mas como
falar dessas coisas?
Com quem
posso conversar sobre arte, música, poesia?
Com qual
amiga posso falar do que me vai lá no íntimo?
Se elas são
tão diferentes de mim.
Não posso
falar de uma receita nova de pudim.
Não posso,
porque não é isso que está no meu pensamento.
Estou
pensando em escrever esta crônica estranha.
Para poder
falar um pouco do que sinto.
(Engraçado
porque escrevi esta crônica há muitos anos. Na verdade foi quando meus filhos
eram pequeninos – tantos acontecimentos – tanta coisa mudou – tenho hoje amigos
que falam sobre arte, literatura, música, dança – todas as coisas que me
atraem)
sonia delsin

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