terça-feira, 20 de maio de 2014



BROTAS

Daniel, o famoso cantor sertanejo exalta a sua terra natal. Seu berço.
Hoje dou mão à palmatória. Conheci Brotas. Linda terra!
Amei as cascatas. Tomei banho de cachoeira e lembrei-me do filho da terra exaltando-a.
Conheci alguns pontos turísticos de Brotas e confesso que me encantaram pela beleza selvagem.
A água gelada em minhas costas foi uma sensação deliciosa, já vivida outras vezes, porque sempre gostei de banhar-me em águas geladas de cascatas.
Daniel sentiu orgulho de sua terra natal. Todos nós devemos amar o lugar em que nascemos.
Há um encanto nas terras que a circundam e também na cidadezinha.
Só estive lá por poucas horas e apaixonei-me pelo que pude ver.
Estou aguardando outra oportunidade para conhecer outros pontos turísticos e sonhando em banhar-me novamente na cachoeira Santo Antônio. Quem sabe nas Três Quedas?!
Quem sabe da próxima vez possamos passar algum tempo na nascente onde a areia canta.
Brotas, eu pretendo voltar outras vezes. Amei estar aí.
Valeu, Daniel! Sua terra é linda.

sonia delsin


QUE SORTE A MINHA!

Vamos fazer de conta que tudo isso é verdade.
Que é a mais pura e verdadeira verdade.
Fazer de conta, porque o tempo de acreditar já acabou.
Já não existe mais a menina crédula, com os olhos de luzes.
Acabou aquela menina.
Onde, em que canto eu a deixei e nem me dei conta?
Deus! Ela era sensacional vivendo dentro de mim.
Havia uma auréola de luz envolvendo aquela cabecinha de ouro.
Aquele coraçãozinho de ave ferida, machucado, dolorido e mesmo assim esperançoso, confiante.
Deus! Onde ficou a menina em mim, em que canto?
Quero-a, preciso dela para sobreviver neste mundo cão e não a encontro mais.
Ela morreu.
Deixei-a ir-se assim como fumaça ao vento? Deixei-a ir-se levianamente?
Eu a busco e já não a acho em mim.
Foi-se e deixou em seu lugar uma mulher incrédula, dura, amarga.
Uma mulher que só pode dar de si o amor que sobrou, uma mulher que tenta agarrar-se à última tábua de salvação.
Não teria ficado em algum cantinho em mim a menina? Se eu a procurasse com mais cuidado, quem sabe!? 


(foi tudo um engano – a menina esta escondida – dando um tempo – só um tempo – e reapareceu para me dizer que não morrerá jamais –        que sorte!)

sonia delsin 


NUNCA MAIS A MESMA

Ela nunca mais foi a mesma depois daquele dia.
Nunca mais confiou em seu homem. Perdeu aquele deslumbramento que fazia acenderem mil luzes em seus olhos quando o avistava.
Foi como quando em criança.
Colocara num pedestal o próprio pai.
Ninguém jamais se igualava a ele. Era o maior de todos, o melhor, o bom.
Até decepcionar-se e ver que o pai era feito de carne, ossos. Sujeito a erros e acertos.
O pai despencou daquela altura que a menina o colocara e a queda fora brutal, seca. Marcara a sua infância a ferro e fogo.
Depois daquela queda a menina precisou passar por muita coisa e aprendeu a confiar novamente, aprendeu a esperar o melhor das pessoas.
Senão a vida não teria sentido para ela.
Da segunda vez não construiu um pedestal, mas confiou.
Confiou e deu o melhor de si.
Por várias vezes sentiu-se tentada a desacreditar, mas seria como ver cair o pai do pedestal pela segunda vez. Se havia motivos? Havia! Sim, havia!
Quantas vezes ela precisara ser forte e segurar a barra para não ver por terra tudo de novo.
Ela precisava crer, mesmo que lá no fundo houvesse a dúvida.
Era uma crença aparente? Talvez até fosse, mas era necessário tentar se iludir.
Agarrar-se a convicção de que era preciso acreditar.
Mas alguma coisa aconteceu naquele dia e os olhos dela não puderem se fechar àquilo.

Nunca mais seria a mesma. Nunca mais...

sonia delsin


TODOS OS SANTOS

Apesar dos santos terem a sua data comemorativa no dia primeiro de novembro comemoramos todos os santos.
Todos, sem exceção. Aqueles que a igreja reconheceu e aqueles que se perderem no anonimato. Aqueles que são seres iluminados e nunca se apagaram; aqueles que simplesmente iluminaram por um tempo.
Santos, diante de Deus, dos homens. Seres excepcionais, fenomenais ou simplesmente seres normais. Mas com qualidades, com luz própria e com um espírito avançado, lapidado.
Verdadeiros diamantes no meio de tantos pobres espíritos.
Como rezar por todos os santos?
Não seremos nós que mais precisamos de oração?
O que posso pedir a todos os santos senão que eu também consiga ser luz? Pedir senão que eu seja paz, amor? Que eu consiga me interessar mais pelas coisas divinas do que pelo que é só matéria e pó?
Não posso viver só do que é divino porque a vida exige que eu seja também prática, mas peço aos santos que me ajudem a dosar na minha vida o que é sobrenatural do que é terreno.
Quero saber sempre dividir-me em duas pessoas distintas que saibam diferenciar as coisas. E peço também que eu seja uma pessoa só que consiga absorver essas duas pessoas distintas e na fusão das duas consiga a perfeição, ou quase.
Não consigo ser e acho que nunca consegui ser em instante algum só matéria, carne e ossos. Sempre vivi dividida entre o céu e a terra. Sempre busquei respostas e é nas profundezas de meu espírito que procuro encontrar o verdadeiro ser que sou.
Longe estou da santidade porque as minhas falhas são inúmeras e muitas vezes sinto que sou um verdadeiro animal indomável. Mas tento aprimorar minh'alma. Tento caminhar pelos melhores caminhos e busco a luz.
Admiro a santidade e sei que temos um longo caminho a percorrer. Sinto que estou evoluindo. É um passo que estou dando numa longa estrada.

sonia delsin


O TEMPO PASSA... MAS NÃO TEM TANTA PRESSA ASSIM DE IR

Estou recordando um sonho que tive. Um sonho estranho e lindo.
Tão colorido!
Engraçado! Em branco e preto, nunca me recordo de ter sonhado.
Sempre tantas cores habitaram meu mundo noturno.
Este sonho foi especial porque eu fugi totalmente do que possa ser possível.
Sonho é sonho...
Que bobagem eu estou dizendo!
Bem, vou tentar transcrevê-lo, se bem que é uma tarefa um tanto difícil.
As sensações não podem ser passadas, sequer avaliadas.
Eu caminhava por uma estrada que percorri nesta vida. Uma que andei quando criança.
Já findava o dia e eu seguia. De repente a lua foi aparecendo no horizonte e se erguendo majestosamente.
Ainda não estava de todo escuro e ela subia imensa. Não como esta que vemos... imensa mesmo.
Tão grande... e me vi nela a observar outras luas.
As cores tão diversas me atraíam. Chamavam-me.
Eram verde-água, lilás, laranja, vermelhas...
Notei que eu não caminhava nesta lua onde me localizava. Eu voava...
Comecei então a avistar os fatos do meu viver.
Ocasiões, gestos. Tudo me voltava.
Podia ver os olhares das pessoas e sentir os afagos que recebi no correr do tempo.
Desfilavam à minha frente todas aquelas criaturas que guardei desde a infância.
Elas voltavam com seus sorrisos, suas palavras.
No sonho eu pensava: Como vivi!
Como tudo significou tanto! Cada momento. Cada riso, cada pranto!
O meu ser sentia desejos de envolver todas aquelas criaturas num abraço tão envolvente, para que elas nunca mais se afastassem de mim.
O tempo passa, mas não tem tanta pressa assim de se afastar de nós, é como um cometa... vai nos deixando um rastro de lembranças...
Vai e fica... nos resquícios de nossas saudades.

sonia delsin


O CASO DO BULE

Cresci vendo a Tonha cozinhando naquele velho fogão a lenha. O bule estava sempre lá.
Era um bule feio. Nós achávamos ele feio, horroroso mesmo. Mas ela pensava assim. 
Ela tinha um jeito peculiar de pegá-lo. Ainda me recordo do café fumegante.
Mamãe comprou um novinho. Pensam que ela aceitou? Não aceitou não, porque era muito teimosa. Quando gostava de uma coisa ninguém conseguia fazê-la mudar de ideia. 
Repetia sempre que gostava mesmo era daquele bule amassado.
Meu irmão Marquinhos resolveu dar um sumiço nele e deixou-a maluquinha. 
Imagine que ela se recusou a fazer café enquanto o bule não aparecesse.
O mano também era teimoso e não queria dar o braço a torcer.
O resultado foi que ficamos sem tomar café por uns três dias. Mamãe nem se metia a fazer porque a velha a punha a correr da beira do fogão. 
Papai dizia que ficar sem café deixava-o com dor de cabeça. Eu por mim nem sentia falta. O leite era farto lá em casa.
No quarto dia Marquinhos despiu-se da arrogância costumeira e colocou o bule em cima do fogão. Bem escondidinho, lá no fundo.
Tonha quando viu que o bule tinha aparecido começou a beijá-lo como se fosse uma preciosidade.
Preparou-nos um café saboroso e tratou de tirar todos da cama.
O bule amassado durou tanto tempo, tanto tempo que até hoje o vejo lá na fazenda. Mas está num canto da dispensa.
A moça que substituiu Tonha (quando esta faleceu) nem quis saber daquela peça inútil.


sonia delsin


FALANDO DE MINHA TERRA

Ainda não amanheceu e já me vejo ansiosa para sair pelas ruas da cidade.
Anseio rever a praça onde sonhei tanto nos meus tempos da juventude.
Anseio rever a majestosa igreja matriz.
O colégio das freiras onde conheci uma pessoa tão especial.
Lembro-me demais da Cleusa Maria. Ela era linda. Ficava na sacada nos olhando e dando tchau. Que saudades que eu sinto dela!
Por onde será que anda? O que será que foi feito daquela órfã tão bonita?
O Instituto Nelson Fernandes onde passei tantos anos de minha vida estudando. Sinto uma saudade enorme daquele tempo!
As ruas por onde eu caminhava acreditando tanto na vida. Esperando tanto do futuro!
As pessoas que deixaram marcas tão profundas!
Oh! Minha Santa Rita! Sofri e fui tão feliz no tempo em que morei aqui!
Lembro-me do "Cine Mirela". Foi uma pena termos perdido o nosso cinema.
O coreto, o alto falante.
Sei que estou falando de outro tempo.
Mas é difícil demais de apagar as lembranças, sejam boas ou más.
A praça em frente a Matriz. Lá era o ponto de encontro dos jovens.
Minhas amigas! Foram muitas. Deixaram marcas... e como deixaram!
Era um mundo estreito. Era só aquilo. Mas não para quem dava asas à imaginação!
Eu vivi aqui sonhando com outras terras e hoje vivo longe da minha terra.
Reflito que aquele tempo foi necessário à minha grande alma sonhadora.
Era tudo tão simples e não era. Era algo puro. Minha infância e adolescência transcorrem em meio às coisas essenciais ao ser humano.


sonia delsin